O fã, o Bêbado e o Equilibrista
Acordou, sacou o celular, viu a notícia do falecimento. Não viu motivo de cair em pesar pelo fato. Não o conhecia, nunca tinha lido nada sobre sua vida, nem mesmo escutado sua voz. Iniciou mais um dia.
Para não ignorar totalmente o ocorrido, permitiu-se escutar uma das maiores obras do falecido. Nó na garganta. A beleza daquela composição na voz de Elis Regina o encantou de arrepios.
Lembrou-se das tantas vezes que ouviu embasbacado O Bêbado e o Equilibrista. Continuou sua contemplação escutando suas geniais obras na música de João Bôsco.
Reviveu o esplendor dessa e de tantas outras letras do carioquíssimo compositor brasileiro.
Nó na garganta esclarecido. Era a dor de descobrir-se fã da arte daquele que partiu. Arte que reverbera o belo e o trágico de nosso país.
Despediu-se:
Até mais Aldir.
PS: escuto ambulâncias...

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